Com ingressos esgotados, Duca Leindecker apresenta “Tudo que se tem” em Porto Alegre
A noite de 12 de junho foi especial para muita gente. Não apenas pela data simbólica do Dia dos Namorados, mas também pela expectativa em torno de um show que estava prestes a acontecer no Teatro Bourbon Country.
Duca Leindecker escolheu Porto Alegre para dar continuidade à turnê de seu mais novo álbum, Tudo que se Tem, gravado durante o período em que viveu nos Estados Unidos.
A chuva e a queda da temperatura não intimidaram o público que chegava ao teatro com expectativa e passos apressados. Entre adultos, crianças, casais e solteiros (sim!), o terceiro sinal sonoro anunciou o início da apresentação. O murmúrio cessou rapidamente e a velocidade com que as pessoas se acomodaram em suas poltronas foi suficiente para demonstrar que estavam prontas para ver e ouvir seu conterrâneo.
Conhecido pelo sorriso largo e pelo carisma inconfundível, Duca Leindecker abriu o show com “Chão”, primeira faixa de seu novo disco, acompanhado por um instrumento construído por seu irmão, Luciano, e dado a ele como presente.
“Gravei o solo desta música com este instrumento chamado Quince. Meu irmão fez para mim usando três moedas de cinco centavos. Tocar com ele foi a minha maneira de homenageá-lo esta noite”, revelou o músico.
Além das músicas recém-lançadas, o multi-instrumentista revisitou sucessos da Cidadão Quem e do Pouca Vogal. Era notória a afinidade do público com cada estrofe e cada melodia. Isso explicava muito bem por que os ingressos se esgotaram para a única apresentação na capital porto-alegrense.
Entre uma faixa e outra, Duca agradeceu e apresentou sua banda, formada por Claudio Mattos, na bateria; Maurício Chaiser, nas guitarras; Edu Bisogno, nos teclados; e Fabio Bolico, na percussão. Guilherme Leindecker foi uma das gratas surpresas da formação. Além de filho de Duca, o jovem baixista é compositor e dividiu os vocais em “Fogo”, música inédita assinada pela dupla.
Duca também relembrou a dificuldade que enfrentou no início da carreira para incluir determinadas composições nos primeiros álbuns, como aconteceu com “Pinhal”, que só encontrou espaço no terceiro disco. Ao mesmo tempo, justificou sua insistência em apresentar músicas inéditas e compartilhou uma reflexão crítica sobre o comportamento da sociedade contemporânea e o impacto da tecnologia nos espetáculos ao vivo.
Segundo o artista, existe uma aparente “preguiça” do público atual, que muitas vezes prefere se dispersar no celular e interagir por meio de plataformas digitais em vez de vivenciar plenamente o momento presente. Para ele, essa dinâmica prejudica a atmosfera dos shows. Duca defende que, se os músicos cederem a esse comodismo e tocarem apenas aquilo que o público já conhece, as apresentações se tornarão previsíveis e automáticas.
Foi então que o artista contextualizou o processo de produção de seu novo trabalho no exterior e convidou o baterista americano James McLaughlin (que viajou da Virgínia especialmente para a apresentação) para dividirem o palco em duas canções: “Bossa” e “Calmo”.
Ter assistido a essa apresentação apenas reforçou aquilo que muitos enxergam em Duca: um artista plural, inquieto e pronto para desbravar tudo o que a estrada ainda tem a oferecer.







por Ellen Visitário

